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Categoria: Religião

28/08/2008 GMT 1

Críticas à doutrina da Trindade

savoscoock @ 05:25

Várias denominações cristãs e outras religiões, como o Islão e o Judaísmo, discordam da doutrina da Santíssima Trindade, isto é, da afirmação de que o Único Deus revela-se em três pessoas divinas distintas. São obviamente as igrejas cristãs não tinitárias que rejeitam esta doutrina. São os unicistas, os Cristadelfianos e vários movimentos para-protestantes como os seguidores da Mensagem de William Branham,e as Testemunhas de Jeová. Há também grupos discordantes dentro de algumas denominações que aceitam a doutrina, como por exemplo, os Adventistas.
Conceitos cristãos anti-trinitários
A visão unicista de Deus entende haver apenas Um Único Deus, a Pessoa Divina de Jesus Cristo, que se teria manifestado como Deus Pai na criação, Deus Filho na Redenção e o Divino Espírito Santo nos dias atuais. Ou seja, um Deus Único em três manifestações temporais.
Outro ramo entende haver "um Deus e um Senhor", nas figuras de Jesus Cristo como Senhor dos Exércitos e de Deus, o Pai Criador e sustentador do Universo. Segundo os defensores desta ideia, há vários textos bíblicos indicando a existência de somente um único Deus tais como (Êxodo 20:2-3), (I Coríntios 8:6) e (João 4:21, 23). Estes ainda defendem que os textos bíblicos referidos pelos trinitarianos, não tratam diretamente da adoração a uma Trindade ou a "um Deus triúno", pelo que esta deveria ser dirigida somente a um Deus único.
Para os Cristadelfianos nem a palavra Trindade e nem o conceito da Trindade aparecem na Bíblia. Os cristadelfianos ensinam que Deus é uma só pessoa, o Pai, Deus é maior do que o Filho, e que o Filho é subordinado ao Pai.
As Testemunhas de Jeová rejeitam o dogma da Santíssima Trindade como sendo um ensino anti-bíblico, ou seja, pagão. Argumentam que existe apenas um só Deus verdadeiro que se chama Jeová. Ele é considerado o Deus Todo-poderoso. Em Deuteronómio 6:4 (NM) reafirma claramente o monoteísmo e a ideia de unicidade da Pessoa de Deus. "Jeová [ YHVH ], nosso Deus [em hebr. Elohím], é um só Jeová [ YHVH ]." Veja Tetragrama YHVH. As Testemunhas argumentam que a nação de Israel, a quem isto foi dito, não acreditava na Trindade. Os babilônios e os egípcios adoravam tríades de deuses, mas esclareceu-se a Israel que Jeová é diferente.
Para as Testemunhas de Jeová, o plural aqui do nome em hebraico [Elohím] é o plural majestático ou de excelência. Não dá a idéia de pluralidade de pessoas numa deidade. Afirmam que, quando em Juízes 16:23 se faz referência ao deus Dagom, emprega-se uma forma do título ’elo·hím; o verbo acompanhante está no singular, o que indica que se refere a apenas um deus. Citam também Gênesis 42:30, que diz que José é “senhor” (’adho·néh, o plural majestático) do Egito. (Veja o Dicionário Bíblico da NAB, Edição de St. Joseph, p. 330, em inglês; também a New Catholic Encyclopedia, de 1967, Vol. V, p. 287.)
As Testemunhas explicam que o idioma grego não possui ‘plural majestático ou de excelência’. Portanto, em Gênesis 1:1, os tradutores da Septuaginta, uma tradução do hebraico para o grego, teriam empregado ho The·ós (Deus, no singular) como equivalente a ’Elo·hím. Afirmam que, em Marcos 12:29, onde se reproduz uma resposta de Jesus em que ele citou Deuteronômio 6:4, emprega-se similarmente o singular ho The·ós, em grego.
O Filho de Deus é encarado como "[um] ser Divino" poderoso ou "[um] Deus". Não o consideram como sendo o Deus Todo-poderoso, mas uma pessoa distinta Dele. (João 1:1,14,18 NM) Foi o "Primogênito de toda a Criação". (Colossenses 1:15)
Aquele que mais tarde se tornou verdadeiramente homem, o Jesus de Nazaré, chamado de Cristo (Messias), teria uma existência pré-humana como filho Unigénito [por ter sido único criado directamente] de Jeová Deus e o Seu porta-voz. Na sua existência pré-humana, crêem que ele era o Arcanjo Miguel, o principal ou líder dos anjos de Deus. Crêem ele teve um papel importante na Criação, como Mestre-de-obras de Deus. (Provérbios 8:30) Enquanto humano, nunca deu consideração à idéia de ser igual a Seu pai, o Deus Todo-poderoso. O próprio Jesus Cristo terá deixado bem claro a ideia de que "o Pai é maior do que eu." (João 14:28) Após a sua ressurreição e assenção ao Céu, continuou lealmente sujeito a Seu Pai e Deus Todo-poderoso, pois "a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus". (I Coríntios 11:3) No fins dos tempos, ele seria designado juíz e o governante do Reino Messiânico. E no término do seu reinado, "quando todas as coisas lhe tiverem sido sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará Àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja todas as coisas para com todos." (I Coríntios 15:25-28)
Entendem que o Espírito Santo, não é uma Pessoa Divina. É apenas a força ativa que procede de Deus. Crêem que a personificação do Espírito Santo, encontrada em alguns versículos bíblicos, não provam que seja uma divindade, mas são apenas figuras de linguagem. Argumentam que em parte alguma das Escrituras se dá um nome pessoal ao espírito santo, mas nos dão o nome pessoal do Pai — Jeová, e do Filho - Jesus Cristo. Citam Atos 7:55, 56, que relata que Estêvão recebeu uma visão do céu, onde viu “Jesus em pé à direita de Deus”, mas não diz ter visto o espírito santo. (Veja também Apocalipse 7:10; 22:1, 3.)

Conceito islâmico
Também os muçulmanos (o Islão) criticam com grande vigor a Trindade que segundo o profeta Maomé seria concebida pelos cristãos como sendo constituída por Deus-Pai, Jesus e Maria. ("História das Religiões", Chantepie de la Saussaye, Vol. 2, 1979) Segundo a sua leitura do dogma da Trindade, consideram que se trata de uma clara e inequívoca afirmação politeísta que atenta contra a unicidade de Alá. (Al Corão 5:73)

Conceito dos movimentos gnósticos
Movimentos neo-gnósticos contemporâneos, que se auto-denominam cristãos, afirmam, por sua vez, que Jesus Cristo não é Deus como o é YHVH, pois YHVH surge ao longo do Antigo Testamento como sendo um Deus "vingativo", "cruel" e "sedento de sangue"; enquanto Jesus apresenta o rosto de um "falso Deus" que é "amor", "misericórdia" e "perdão". Entendem que o Espírito Santo é na realidade o "Verdadeiro Deus" que salvou a Humanidade ao ser entregue por Jesus a YHVH aquando da sua morte. (The Gnostic Religion, Hans Jonas, 2001)

Conceito dos pioneiros adventistas
Eles escreveram a esse respeito em um dos principais veículos adventistas da época - The Review and Herald - Fac-símile e tradução dos originais impressos.
J. N. Loughborough disse que a doutrina da Trindade foi trazida para a Igreja Católica ao mesmo tempo que a adoração de imagens, e que a celebração da guarda do Domingo não é mais do que a doutrina dos persas remodelada. (Adventist Review de 5 de novembro de 1861)
J. B. Frisbie seguiu o mesmo pensamento de Lougborough dizendo que a Trindade era um louvor à guarda do domingo. (The Advent Review de 4 abril de 1854)
James White disse que a doutrina da Trindade acaba com a personalidade de Deus e de seu Filho, Jesus Cristo. (The Advent Review de 11 de dezembro de 1855) Disse ainda que os grandes reformadores, se tivessem continuado, não teriam deixado nenhum vestígio das falsas doutrinas, inclusive a Trindade. (Advent Review 7 de Fevereiro 1856)
J. N. Andrews incluiu a crença na Trindade entre as doutrinas espúrias que compunham o vinho de Babilônia. (Adventist Review de 6 março de 1855)
D. W. Hull disse que essa doutrina foi invenção do "homem do pecado" em referêcia a II Tessalonicenses Capítulo 2. (Adventist Review de 10 de novembro de 1859).
Uriah Smith, outro pioneiro que atuou na presidência da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia e também como editor chefe da Review and Herald por mais de cinquenta anos disse: "O Espírito Santo é o Espírito de Deus e o Espírito de Cristo, sendo o Espírito o mesmo quando se fala de Deus ou de Cristo. Mas com relação a este Espírito, a Bíblia emprega expressões que não podem harmonizar-se com a idéia de que seja uma pessoa, tal como o Pai e o Filho." (Review and Herald, 1890)
William White, filho de Ellen Gould White, era contrário a essa doutrina e dizia que muitas pessoas se utilizavam dos escritos de sua mãe com interpretações errôneas. - Veja a Carta original de 1935.

A Criação - Segundo Ellen G. White
"Pai e Filho empenharam-Se na grandiosa, poderosa obra que tinham planejado - a criação do mundo. A Terra saiu das mãos de seu Criador extraordinariamente bela ... Depois que a Terra foi criada, com sua vida animal, o Pai e o Filho levaram a cabo Seu propósito, planejado antes da queda de Satanás, de fazer o Homem à Sua própria imagem. Eles tinham operado juntos na criação da Terra e de cada ser vivente sobre ela. E agora, disse Deus a Seu Filho: "Façamos o Homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. (Gênesis 1:26)" (História da Redenção, Ellen G. White, pág. 20

Versículos bíblicos que fundamentam a crítica à Trindade
Os cristãos defensores de doutrinas contrárias à Trindade indicam diversos trechos bíblicos para fundamentar os seus entendimentos. Segundo eles, a existência de tais versículos inviabilizaria uma coerência da doutrina trinitária com as Escrituras, concluindo-se pela unidade absoluta e indivisível de Deus. Entre tais versículos, alistam:

Novo Testamento
1 Coríntios 11:3: “Quero . . . que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem o cabeça da mulher, e Deus o cabeça de Cristo.” Os unitaristas argumentam, com este texto, que Cristo não é Deus, e Deus é superior a Cristo, e que isto foi escrito em cerca de 55 EC, uns 22 anos depois de Jesus voltar ao céu. Portanto, a verdade expressa aqui aplica-se à relação de Deus e de Cristo nos céus.
1 Coríntios 15:27, 28: “Todas as cousas [Deus] sujeitou debaixo dos seus pés [de Jesus]. E quando diz que todas as cousas lhe estão sujeitas, certamente exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as cousas lhe estiverem sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as cousas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.”
1 Pedro 1:3: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” Os unitaristas argumentam que, repetidas vezes, mesmo após a ascensão de Jesus aos céus, as Escrituras se referem ao Pai como “o Deus” de Jesus Cristo. Em João 20:17, após a ressurreição de Jesus, ele próprio falou a respeito do Pai como “meu Deus”. Mais tarde, quando estava no céu, segundo registrado em Apocalipse 3:12, ele usou novamente a mesma expressão. Os unitaristas afirmam que nunca se diz na Bíblia que o Pai se refira ao Filho como “meu Deus”, tampouco o Pai ou o Filho se referem ao espírito santo como “meu Deus”.
O apóstolo Paulo escreveu que "no céu e na terra há alguns que se chamam deuses" (1 Coríntios 8:5), declarando que, todavia para nós há um só Deus, o Pai." (1 Coríntios 8:6). Em outra carta, Paulo define Deus como:
"Aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra, poder sempiterno. Amem." (Timóteo 6:16)
Numa definição quantitativa: "Há um só Deus, o Pai", conclui-se pela impossibilidade de haver mais do que um único Deus.
No evangelho segundo São João, Jesus disse:
"E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3).

Antigo Testamento
Em Isaías 44:6, Deus define-se no tempo e no espaço:
"Eu sou o primeiro e eu sou o último. Fora de mim não há Deus."
Em Êxodo 20:3, o Criador define-se como único:
"Não terás outros deuses diante de Mim" (singular).
Constam ainda em Zacarias 14:9 as seguintes palavras:
"E o Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome."

Sobre alegação da sua origem pagã
Alguns movimentos que, embora não sejam reconhecidos como cristãos pelas grandes denominações cristãs, se auto-denominam de cristãos, bem como alguns movimentos para-cristãos, afirmam que a Trindade é o fruto da importação de conceitos religiosos pagãos, e ainda uma fabricação da Igreja do Século IV. A este respeito, porém, é hoje consensual entre os especialistas em História das Religiões que nas outras religiões - em especial a religião egípcia e o hinduísmo - não se encontra a afirmação da subsistência de um Deus em três Pessoas distintas - crença peculiar e restrita ao cristiansmo trinitário -, mas tão só a reunião de três deuses distintos de entre um vasto panteão, ou de três avatáres, respectivamente. (Ref.ª Henri-Charles Puech - "Histoire des Religions", T1. T2, 1999; Konemann Verlag - "Histoire des Religions", 1997).
Quanto à datação da doutrina da Trindade como tendo surgido somente no século IV, as práxis sacramentais e os escritos cristãos dos três primeiros séculos - sobretudo Orígenes, Teófilo de Antioquia, Justino, Hipólito e Tertuliano, na opinião de muitos, são testemunhos suficientes para se ser ter uma posição de grande renitência, senão mesmo de rejeição, quanto à veracidade dessa afirmação (Refª Mircea Eliade - "Traité d'histoire des religions", 2004). Na opinião destes últimos, se a formulação dogmática da referida doutrina só foi postulada no decorrer dos grandes concílios ecuménicos do referido Século IV, crêem que a sua crença é-lhe anterior, afirmando ainda que a sua génese pode remontar aos próprios escritos do Novo Testamento .

Espírito Santo

savoscoock @ 05:14

Na Bíblia hebraica (Velho Testamento), o termo hebraico Ruach HaKodesh é usado muitas vezes; ele é traduzido literalmente como Espírito Santo. Na Bíblia Hebraica ele se refere à presença de Deus na forma experimentada por um ser humano. A maioria dos cristãos considera o Espírito Santo como o próprio Deus, parte da Trindade.

A visão judaica do Espírito Santo

A literatura midrash contém muitas afirmações acerca do Espírito Santo. É escrito que o Espírito Santo, sendo de origem celeste, é composto, como tudo aquilo que vem do céu, de luz e de fogo. Quando descansou sobre Finéias, a sua face ardeu como um archote (Midrash Lev. Rabbah 21). Quando o Templo foi destruído e o povo de Israel foi para o exílio, o Espírito Santo regressou ao céu, o que é indicado em Eccl. 12:7: "o espírito voltará para Deus" (Midrash Eccl. Rabbah 12:7). O espírito por vezes fala com voz masculina, e outras com voz feminina (Eccl. 7:29). Isto é, como a palavra "ruah" é tanto masculina como feminina, o Espírito Santo foi concebido como sendo por vezes como um homem e outras como uma mulher.

De acordo com a tradição Judaica, o Espírito Santo se apresenta apenas a uma geração digna, e a frequência das suas manifestações é proporcional à retidão. Não se registaram manifestações deste no tempo do Segundo Templo (Talmude, Yoma 21b), embora se dessem muitas no tempo de Elias (Tosefta ao Talmude Sotah, 12:5). De acordo com Jó 28:25, o Espírito Santo repousa sobre os Profetas em vários graus, alguns profetizando o conteúdo de apenas um livro, outros preenchendo dois livros (Midrash Lev. Rabbah 15:2). Ainda assim não repousava sobre eles continuamente, mas apenas por períodos de tempo.

Os estágios de desenvolvimento, dos quais o mais elevado é o Espírito Santo, são os seguintes: zelo, integridade, pureza, santidade, humildade, temor do pecado, o Espírito Santo. O Espírito Santo conduziu Elias, o qual traz os mortos à vida (Yer. Shab. 3c, acima, e passagem paralela). O pacto sagrado através do Espírito Santo (Midrash Tanhuma, Vayeki, 14); qualquer um que ensine a Torah em público partilha do Espírito Santo (Midrash Canticles Rabbah 1:9, end; comp. Midrash Lev. Rabbah 35:7). Quando Finéias pecou, o Espírito Santo apartou-se dele (Midrash Lev. Rabbah 37:4).

A tradição Judaica divide os livros da Bíblia Hebraica em três categorias, de acordo com o nível de profecia que os seus autores terão alcançado.

Os resultados visíveis da actividade do Espírito Santo, de acordo com a concepção Judaica, são os livros da Bíblia, os quais terão sido, na sua totalidade, compostos sob a sua inspiração. Todos os Profetas falaram "no Espírito Santo"; e o sinal mais característico da presença do Espírito Santo é o dom de profecia, no sentido em que a pessoa sobre a qual ele repousa vê o passado e o futuro. De acordo com o Talmude, com a morte dos três últimos profetas, Ageu, Zacarias, e Malaquias, o Espírito Santo cessou de se manifestar em Israel; mas o Bat Kol (voz celestial) ainda estava disponível.

* A Torah (cinco livros de Moisés) diz-se ter sido escrita por Moisés através de uma revelação verbal directa de Deus.
* Os Nevi'im (profetas) são livros escritos por pessoas que receberam um elevado nível de profecia.
* Os Ketuvim (escritos, agiógrafa) são escritos por pessoas que possuem um menor nível de profecia conhecido como inspiração divina, Ruach HaKodesh.

De acordo com uma das perspectivas do Talmude, o Espírito Santo estava entre as dez coisas que foram criadas por Deus no primeiro dia (Talmude Bavli, Hag. 12a, b). Embora a natureza do Espírito Santo, na realidade, não esteja descrita em lugar algum, o seu nome indicia que era concebido como uma espécie de vento que se manifestava através de ruído e luz.

De especial interesse é a distinção feita pelas antigas autoridades Judaicas entre o "Espírito do Senhor" (o qual é o termo mais comum para referir o Espírito Santo no Tanakh) e a Shekinah, a presença de Deus. Esta distinção é feita no Talmude, o qual nos dá uma lista das coisas que se encontravam no primeiro Templo de Jerusalém, mas ausentes do segundo Templo. Esta lista inclui o Espírito Santo e a Shekinah. A diferença não é facilmente compreendida, mas parece que a glória da Shekinah era, de alguma forma, mais tangível do que o Espírito. Isto poderia referir-se à presença literal de Deus no Santo dos Santos, e à presença de Deus que dele emanava em alguma forma especial, em oposição à presença do Espírito Santo, o qual estaria em muitos locais mundo fora, e especialmente em indivíduos. No Tanakh, entretanto, esta presença do Espírito é reservada para os reis, profetas, sumo sacerdotes, etc. e não é concedida ao crente comum.

O Espírito Santo é referido com menor frequência nos Apócrifos e pelos escritores Judeus Helénicos; isto pode significar que a concepção do Espírito Santo não era proeminente entre o povo Judeu da época, especialmente na Diáspora.

Na profecia de I Macabeus 4,45. 14,41 é referido como algo há muito perdido. Sabedoria 9,17 refere-se ao Espírito Santo enviado por Deus dos céus, através do qual os decretos de Deus são reconhecidos. A disciplina do Espírito Santo protege do logro (ib. i. 5). Diz o Salmo de Salomão, 17,42, em referência ao Messias, o filho de David: "ele é poderoso no Espírito Santo"; e em Susana, 45, que "Deus elevou o Espírito Santo num jovem, cujo nome era Daniel."

[editar] Perspectivas cristãs do Espírito Santo
Representação do dia de Pentecostes, (At 2,1-13)
Representação do dia de Pentecostes, (At 2,1-13)

Nas principais correntes do Cristianismo, o Espírito Santo é uma pessoa da Trindade, co-igual com o Pai e o Filho (i.e. Jesus Cristo), parte da Deidade. Nas igrejas Unitárias, nas Testemunhas de Jeová, e em outras denominações cristãs que não aceitam a doutrina da Santissíma Trindade, o Espírito Santo é a força activa que procede de Deus e não uma pessoa Divina. Para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias o Espírito Santo é um personagem de espírito, terceira pessoa da Deidade, no entanto separado e distinto do Pai e do Filho. O estudo do trabalho do Espírito Santo é chamado de Pneumatologia.

Novo Testamento

O Espírito Santo é frequentemente simbolizado pelo sinal de uma pomba branca, baseado no relato do Espírito Santo a descer sobre Jesus Cristo, após este ter sido batizado no rio Jordão, embora o texto bíblico não diga que foi em forma de pomba, e sim como uma pomba, numa comparação. O livro de Atos descreve o Espírito Santo a descer sobre os Apóstolos durante o Pentecostes na forma de um vento e línguas de fogo, que repousavam sobre a cabeça dos Apóstolos. Baseado nesta imagem, o Espírito Santo é frequentemente simbolizado por uma chama.

No Evangelho de João, no Novo Testamento, a ênfase é colocada, não no que o Espírito Santo fez por Jesus, mas no facto de Jesus ter dado o Espírito aos seus discípulos. No Cristianismo tradicional, o qual foi o mais influente para o desenvolvimento posterior da doutrina da Trindade, Jesus é visto como o cordeiro sacrificial, e com vindo aos homens para conceder o Espírito de Deus à humanidade.

Embora a linguagem utilizada ao descrever Jesus a receber o Espírito Santo no Evangelho de João seja um paralelo dos relatos nos outros Evangelhos, João relata este episódio com o objectivo de mostrar que Jesus tinha uma especial posse do Espírito para que o podesse conceder aos seus seguidores, unindo-os a Si mesmo, e em Si mesmo unindo-os também com o Pai. (Ver Raymond Brown, The Gospel According to John, capítulo sobre Pneumatologia).

Perspectivas de diferentes denominações

Os Cristãos crêem que é o Espírito Santo que conduz as pessoas à fé em Jesus Cristo e aquele que lhes dá a capacidade para viverem um vida Cristã e dá credito. O Espírito Santo figurativamente habita dentro de cada cristão verdadeiro, e se manifesta em ações de graça. Ele é descrito como um "ajudador" (em gr. paraclete), guiando-os no caminho da verdade. Os 'Frutos do Espírito' (isto é, os resultados da sua influência) são "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gálatas 5:22). Ele também concede dons (isto é, habilidades) aos Cristãos tais como os dons de profecia, línguas e conhecimento, embora alguns Cristãos acreditem que isto apenas aconteceu nos tempos do Novo Testamento.

O movimento Pentecostal e Neo-pentecostal coloca uma ênfase especial nas obras do Espírito Santo, em especial nos dons acima mencionados, acreditando que estes são ainda hoje concedidos. Os Pentecostais acreditam que o batismo no Espírito Santo é uma obra distinta do novo nascimento. Os Pentecostais crêem que é Jesus quem batiza com o Espírito Santo, e que este batismo é evidenciado pelo falar em línguas estranhas. Uma parte minoritária dessas Igrejas afirmam que esse batismo do Espírito Santo é o verdadeiro sinal de Cristianismo numa pessoa, ou seja, que até uma pessoa ter experimentado o baptismo do Espírito Santo, ela não pode estar certa da sua salvação.

De acordo com os dispensacionalistas, estamos agora a viver a Era do Espírito. O período do Velho Testamento, nesta corrente, pode ser chamado a Era do Pai; o período coberto pelos Evangelhos, a Era do Filho; do Pentecostes até ao segundo advento de Cristo, a Era do Espírito.

Há ainda os cristãos que creem que o Espírito Santo é apenas um meio de manifestação de Jesus Cristo. Ou seja, Espírito Santo é mais um Título Santo dado à Jesus, o Deus encarnado.

A perfeição do Espírito

Para uma possível perfeição de uma personalidade, esta tem que ser submetida a uma trinitarização. O conceito trinitário é a forma ideal como três funções são ligadas embora agindo de forma independente. O Espírito Santo, ou Espírito Infinito como também é conhecido, é o reflexo da ordem e comando de Deus-Filho.

O empenho do Espírito é a ação fruto do comando do Filho. Esse é o seu contributo em toda a acção criadora constante do universo.

O comando do Filho é fruto da vontade de Deus-Pai. O empenho do Filho é o comando e ordenanças da Vontade de Deus-Pai.

A vontade de DEUS-PAI reflete-se no comando de DEUS-FILHO que por sua vez complementa-se na ação do DEUS-ESPÍRITO.

É a união destas três forças fundamentais que se traduz o segredo da perfeição absoluta e última. O Espírito Santo é o relacionamento entre Pai e Filho que é derramado no coração do homem através do batismo.

O género do Espírito Santo

A palavra hebraica presente na Bíblia para espírito é ruwach, que significa vento fôlego, inspiração; o substantivo é, gramaticalmente, feminino. No Cânticos dos Cânticos, o mais antigo hinário cristão, o Espírito Santo é, gramaticalmente, feminino. A palavra grega para espírito, pneuma, não tem género gramatical. O Espírito Santo é traduzido para o masculino apenas em línguas como o Latim e o Inglês.

Deus

savoscoock @ 05:11

A idéia ou compreensão de Deus (Deus ou DEUS, em maiúsculo ou versalete, como algumas religiões exigem) assumiu, ao longo dos séculos, várias concepções, desde as formas pré-clássicas provenientes das tribos da antiguidade até os dogmas das modernas religiões.
O Nome

Nas modernas religiões monoteístas Judaísmo, Zoroastrismo, Cristianismo, Islamismo, Sikhismo e Fé Bahá'í, o termo “Deus” refere-se à idéia de um ser supremo, infinito, perfeito, criador do universo, que seria a causa primária e o fim de todas as coisas. Os povos da mesopotâmia o chamavam pelo Nome escrito em hebraico como ( יהוה ) o tetragrama YHVH. Mas com o tempo deixaram de pronunciar o seu nome diretamente, apenas se referindo a "Ele" como "O" Salvador ou "El" Salvador, "O" Criador ou "El" Criador e "O" Supremo, etc. e assim por diante.

Um bom exemplo desse tipo de associação, ainda estão presentes em alguns nomes e expressões árabes, por exemplo Abdallah que quer dizer servo (abd) de Deus (Allah).

As principais características deste Deus-Supremo seriam:

* a Onipotência: poder absoluto sobre todas as coisas;
* a Onipresença: poder de estar presente em todo lugar; e,
* a Onisciência: poder de saber tudo.

Essas características foram reveladas aos homens através de textos contidos nos Livros Sagrados, quais sejam:

* o Bhagavad-Gita, dos vaishnavas;
* o Tanakh, dos judeus;
* o Avesta, dos zoroastrianos;
* a Bíblia, dos cristãos;
* o Livro de Mórmon, dos santos dos últimos dias;
* o Alcorão, dos muçulmanos;
* o Guru Granth Sahib dos sikhs;
* o Bayan Persa, dos babis; e,
* o Kitáb-i-Aqdas, dos bahá'ís;

Esses livros relatam histórias e fatos envolvendo personagens escolhidos para testemunhar e transmitir a vontade divina na Terra ao povo de seu tempo, tais como:

* Abraão e Moisés, na fé judaica;
* Zoroastro, na fé zoroastriana;
* Jesus Cristo, na fé cristã;
* Maomé, na fé islâmica;
* Guru Nanak, no sikhismo, e;
* Báb e Bahá'u'lláh, na fé Bahá'í

A existência de Deus

Há milênios, a questão da existência de Deus foi levantada dentro do pensamento do homem, e os principais conceitos filosóficos que investigam e procuram respostas sobre esse assunto, são:

* Deísmo - Doutrina que considera a razão como a única via capaz de nos assegurar da existência de Deus, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada. O deísmo é uma postura filosófica-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas rejeita a idéia de revelação divina.

* Teísmo - Teísmo é um conceito surgido no século XVII (R. Cudworth, 1678) contrapondo-se ao moderno ateísmo, deísmo e panteísmo. O teísmo sustenta a existência de um deus (contra o ateísmo), ser absoluto transcendental (contra o panteísmo), pessoal, vivo, que atua no mundo através de sua providência e o mantém (contra o deísmo). No teísmo a existência de um deus pode ser provada pela razão, prescindindo da revelação; mas não a nega. Seu ramo principal é o teísmo Cristão, que fundamenta sua crença em Deus na Sua revelação sobrenatural através da Bíblia. Existe ainda o teísmo agnóstico, que é a filosofia que engloba tanto o teísmo quanto o agnosticismo. Um teísta agnóstico é alguém que admite não poder ter conhecimento algum acerca de Deus, mas decide acreditar em Deus mesmo assim. A partir do teísmo se desenvolve a Teologia, que é encarada principalmente, mas não exclusivamente, do ponto de vista da fé. Embora tenha suas raízes no teísmo, pode ser aplicada e desenvolvida no âmbito de todas as religiões. Não deve ser confundida com o estudo e codificação dos rituais e legislação de cada credo.

* Ateísmo – O ateísmo engloba tanto a negação da existência de divindades quanto a simples ausência da crença em sua existência.

* Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racional e cientificamente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. O agnóstico pode ser teísta ou ateísta, dependendo da posição pessoal de acreditar (sem certeza) na existência ou não de divindades.

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